sábado, 13 de agosto de 2011

Ao meu pai


Oito de Agosto de mil novecentos e oitenta e quatro. Rua Prudente de Moraes, oitocentos e quarenta e nove, fundos, Dois Córregos. Casa simples, a porta que existia, era fechada à tramela e nos quartos, cortinas produzidas pela Dona Julieta dava a privacidade necessária. Da cama, vislumbrávamos o madeiramento, o telhado e às vezes o céu,  sem obstáculos. No quarto pequeno, uma simples cama de casal  escondendo a comadre e o urinol e a penteadeira tomada pelos remédios e água. O criado-mudo apoiava o rádio, sempre sintonizado em ondas curtas, o maço de Continental, a caixa de fósforos e o cinzeiro sempre limpo. Dezoito horas. A Ave Maria, entoada em algumas emissoras até hoje, chegava ao "agora e na hora de nossa morte", acompanhada por movimentos labiais acanhados e os olhos, já dispersos e marejados, deixaram rolar uma lágrima, exatamente no momento do "amém", seguido pelo esvaziamento definitivo do tronco e pela midríase, concluíndo o desenlaçe imediato.
Quarenta e três anos vividos em grande parte, em nosocômios.  Amaral Carvalho, São Judas e Abdalla Atique eram nomes que ouvia frequentemente, sabendo anos depois tratarem-se de hospitais na cidade de Jaú e um médico que o tratava, respectivamente . Seis cirurgias no estômago mais uma no fêmur direito fraturado em uma queda, totalizando sete.
Nos períodos de convalescência em casa, muitas pessoas o procuravam para buscar orientações e indicações sobre aposentadoria e saíam dali contentes, deixando-o exausto mas realizado.
Profissional de administração, mais precisamente contabilidade, foi conquistado pelo alcoolismo e o tabagismo, que o fizeram aposentar-se muito cedo, por invalidez. Invalidez. Esse termo grosseiro até hoje utilizado para definir uma condição relativa, mas não uma disposição, somava-se à falta de conhecimento da área psicossocial, a praticamente inexistência da terapia ocupacional e a dificuldade de expor sentimentos que fizeram-no enredar-se no vício de forma a ser dominado por ele, sucumbindo.
Apesar de tudo, nada apaga as conversas variadas na cama, esperando a Dona Julieta chegar da Barra, as batatinhas fritas, cortadas em rodelas bem fininhas uma a uma com aquela faquinha de serra, mergulhadas em salmoura durante cinco minutos ( tinha que ser cinco minutos, nem mais nem menos) e secas em guardanapos de pano que tinham que ser lavados antes da matriarca chegar, a fim de evitar broncas carinhosas.
Outra passagem inesquecível é a de quando a Dona Julieta, minha mãe, cabeleireira oficial da vizinhança, resignada como sempre, ouvia uma freguesa reclamar da demora e ameaçando não voltar mais no salãozinho (era assim que era chamado, no diminutivo mesmo) quando o seu Luis, meu pai, no meio da empreitada da lavagem da louça do almoço, com um prato todo ensaboado na mão esquerda e a bucha também ensaboada na direita esbravejou: -"Faça o favor de se retirar então e não apareça mais aqui se for para faltar com a educação com minha esposa, pois sou eu quem manda aqui e não vou mais deixar a Julieta lhe atender!". Dá para imaginar a cena, não é? Foi demais!

"Faça o que eu mando. Não faça o que eu faço" ele dizia com o olhar sério e doce.

Meu pai, meu mestre, Deus te guarde. Especialmente nesta época em que os pais são recordados pelos filhos, que os brindam com presentes.
Meus irmãos e eu te brindamos com a prece da nossa gratidão:

Senhor LUIZ VALDOMIRO GAMBA,
Obrigado por nos terdes dado a vida,
Obrigado por nos terdes ensinado a bem vivê-la.

Em homenagem ao senhor, publico essas linhas.

Bauru, 13 de agosto de 2011

Seu caçula
Maurilio Flavio Gamba

domingo, 3 de julho de 2011

Balas “Dum Dum” “Uma delícia de estouro”

O infame trocadilho acima poderia ser até a propaganda de uma guloseima, se não fosse uma das renitentes e cretinas crendices balísticas de nosso meio, a das “balas Dum Dum” que explodem dentro do corpo, mito esse perpetuado, pasmem, até pela imprensa dita “policial” (mas bem leiga como tive oportunidade de ver essa semana na fala de um conhecido “comentarista policial”), razão pela qual resolvi escrever este artigo.

Não me incomoda em nosso meio a persistência de alguns mitos e termos mais popularescos de uso corrente, como por exemplo incomoda a muitos instrutores de tiro e militares o uso do termo “bala” ao invés de projétil, mesmo porque as origens deste termo se perdem na idade antiga. Vem do verbo grego “ballo” (βλλω - lançar, atirar), e daí se deriva também Balista, nome de antiga máquina de guerra. A ciência que estuda os projéteis não leva o nome de balística? E ainda hoje existem termos similares ao nosso “bala”, em língua inglesa (“bullet)” e em francês (“balle”). Então “bala“ como designativo de projétil pra mim não é problema.

Sobre especificamente as “balas Dum Dum”, mais um dos nossos muitos mitos oplológicos que de fato tem raízes históricas verdadeiras, mas via de regra como tanto outros, foi absolutamente distorcido e acrescido de detalhes que pouco tem a ver com a real história do fato ou conceito, isto sim é problemático pois é um desserviço a nossa área técnica. Alguns chegam a dizer que o nome dum-dum na verdade é a onomatopéia de dois estampidos, um o do disparo da arma, e o outro o da explosão do projétil no alvo!!

Sabe-se lá como isto se espalhou entre nós, mas o que de fato nos conta a história é que o conceito de cartucho "Manstopper" (literalmente “parador” de homem) surgiu com os ingleses em suas guerras coloniais pela necessidade de combater inimigos corpulentos e bastante excitados, "selvagens” (na visão dos educados ingleses) que teimavam em não cair mesmo quando atingidos por vários disparos de arma curta (e até por armas longas como depois a experiência mostraria, deste mesmo mal os americanos sofreriam nas Filipinas dezenas de anos depois). Assim surgiram armas e calibres específicos para os teatros de guerra britânicos, exóticos e hostis na África e Ásia como Índia, Paquistão, Afeganistão, Egito, Sudão, Quênia, Rodésia, Transvaal, exemplo disto são os revólveres Webley Nº 1 "Boxer" de 1866 e o revólver Bland-Pryse que disparavam seis tiros do mastodônico calibre .577 Boxer de fogo central (o calibre 14,6 mm x 25,5 R, código DWM 274, tinha o mesmo calibre do rifle regulamentar) que obviamente tinha sido projetado para ter condições de deter o mais forte dos adversários.

Os famosos e infames (na imaginação popular) projéteis “Dum Dum”, foram criados no final dos anos 1890 no arsenal da British Royal Artillery, situado na cidade do mesmo nome no Nordeste da Índia próximo a Calcutá, no estado de West Bengal. O arsenal de Dum Dum era administrado pelo Capitão Bertie Clay, que segundo consta desenvolveu os projéteis em questão. Sua origem se deu durante as lutas de um golpe de estado no Paquistão em 1895, pois para restabelecer o domínio britânico na região foram enviadas tropas inglesas armadas com fuzis Lee-Metford Mark I em calibre 7.7 mm (o famoso calibre .303 ainda usando pólvora negra, os Lee foram adotados em 1888 substituindo o fuzil de serviço monotiro cal. 450 Martini-Henry). Estas tropas relataram na sua volta a Índia que estas novas armas se mostraram eventualmente ter insuficiente “Stopping power” para deter os inimigos das tribos Chitrali. Os estudos no arsenal, ao contrário do que se pensa, se restringiram apenas a um modelo de projétil do fuzil .303 com a jaqueta de níquel removida (cortada aproximadamente a 6 mm da ponta para revelar o núcleo de chumbo macio), podendo ser assim considerada a precursora das modernas munições tipo jaquetada de ponta mole - JSP (jacketed soft-point). Comumente se diz que lá se desenvolveram projéteis de ponta cortada em cruz, com jaquetas debilitadas, vazadas etc. Na verdade alguns destes tipos de projéteis já existiam nos fuzis esportivos Express, sendo na maioria das vezes experimentações para se reduzir o peso das pontas e aumentar a velocidade final, e que como efeito colateral se revelaram eficazes em se expandir bem em caça leve, mas mal em caça pesada. Apesar de ter tido apenas uso local e não oficial, o conceito de munição expansiva criado em Dum Dum perdurou nas oficiais .303 do padrão MK III (adotadas em 1897 tinham a camisa cortada expondo o núcleo de chumbo na ponta do projétil) e nas Mark IV e V, estas legítimas ponta-oca desenvolvidas na Inglaterra de forma independente no Arsenal de Woolwich, e tornadas padrão em 1899. O tipo Mark IV foi usado em Omdurman em 1898 com resultados satisfatórios, chegando segundo consta na emergência os soldados britânicos a remover o topo das jaquetas da munição padrão Mark II convertendo-as assim em improvisados tipos dum dum.

Embora os ferimentos causados pelas novas munições expansivas incrivelmente fossem menos severos que os provocados pelos antigos e brutais projéteis de chumbo sólido calibre .450 Martini-Henry, a Convenção de Haia de 1899 os proibiu a pedido da delegação alemã, que alegou motivos humanitários (durante a Primeira Guerra Mundial os alemães acusaram os Belgas de ainda usar munição expansiva em combate) encerrando-se definitivamente assim o capítulo de munições expansivas para uso militar.

No campo das armas curtas a experiência inglesa nas colônias criou em 1898 o .455 Webley Mark III, um cartucho dito "Manstopper" que possuía discreta ponta oca de chumbo que se deformava no momento do impacto, e a sua base oca (hollow base) ajudava-o a se ajustar melhor ao raiamento do cano. Esta carga foi removida de serviço em 1900, substituída pela anterior MK II pontuda, e logo após (1912) entraria em uso a .455 Mark IV na prática um projétil "wadcutter", saindo de serviço antes da Primeira Guerra Mundial, também por causa da Convenção de Haia.

“Dum Dum” à Brasileira

O uso do termo "Dum-Dum" ficou inegavelmente associado a projéteis expansivos já entre os soldados ingleses da época e continuou sendo usado para designar qualquer tipo de projétil EXPANSIVO (e não EXPLOSIVO como se apregoa por aí). Tantas vezes ouvi este comentário, principalmente de pessoas mais idosas mostrando orgulhosas seus exemplares de antiga e modesta munição canto vivo CBC (wadcutter)... O projétil canto-vivo durante muitos anos foi no Brasil a única opção ao tipo ogival (só existiam estas duas pontas), surgindo daí diversas lendas locais. Mas quem teria sido o desconhecido “gênio“ que associou a este tipo de cartucho, bom para tiro ao alvo (mas se tivesse uma carga de projeção maior certamente seria um bom "Manstopper" pela área frontal plana) as improváveis qualidades balísticas de EXPLODIR quando atingisse o alvo? Fato incompreensível, mesmo porque as munições de uso civil no mercado mundial excetuando-se a Exploder americana não portam substâncias explosivas em seu interior. Será que o charmoso estojo niquelado com a ponta totalmente inserida em seu interior provocava esta mística? Fetiche oplológico? Vai saber. A nossa inventividade e o “jeitinho brasileiro” (para o mal inclusive) produziu uma versão modificada do canto-vivo tradicional, pois dizem que alguns desmontaram a munição original e remontaram-na com a base oca para frente criando assim a variação deste cartucho conhecida curiosamente como “Diabo Paraibano”, com efeitos úteis de penetração e expansão obviamente desconhecidos e incertos, pois a espessura do projétil na base oca era bem menor. Um remendo evidente na tentativa de se melhorar a performance da munição de defesa antes das pontas JHP e JSP chegarem ao nosso mercado, e mesmo estes tipos hoje depois de passados 110 anos e com toda a informação disponível, ainda são confundidos com as místicas ogivas indianas Dum Dum, no nosso caso poderia dizer jocosamente confundidas com “uma delícia de estouro no alvo”. Esperamos ter contribuído para ajudar a diminuir esta resistente lenda oplológica nacional passada de geração a geração por via oral como toda boa lorota que se preza, já tendo entrado há um bom tempo para o nosso “folclore ” armamentista.

http://vitrinedaarmaria.blogspot.com/2009/09/balas-dum-dum-uma-delicia-de-estouro.html#comments

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Serviço

Como seria triste o mundo se tudo já estivesse feito,
se não houvesse uma roseira para plantar,
uma iniciativa para lutar!
Não te seduzam as obras fáceis.
É belo fazer tudo que os outros se recusam a executar.
Não cometas, porém, o erro de pensar que só tem merecimento executar as grandes obras.
Há pequenos préstimos que são bons serviços: enfeitar uma mesa.
Arrumar uns livros.
Pentear uma criança.
Aquele é quem critica, este é quem destrói;
sê tu quem serve.
Servir não é próprio dos seres inferiores: Deus, que nos dá fruto e luz,serve.
Poderia chamar-se: O Servidor.
E tem os Seus olhos fixos nas nossas mãos e pergunta-nos todos os dias:
S
erviste hoje?
*   *   *
Gabriela Mistral, poetisa chilena, em seu belíssimo poema nos emociona com uma
proposta de vida maravilhosa.
O Poeta dos poetas, certa vez também afirmou que quem desejasse ser o primeiro,
fosse o servo de todos.
Servir é a receita infalível da felicidade presente e futura.
Presente, pois quem serve, quem se doa, quem ajuda, já recebe no coração a paz
 que tal ato propicia. Uma paz sem igual: a paz da consciência tranquila.
Futura, pois quem serve semeia concórdia, fraternidade – merecendo colher o
mesmo nos passos seguintes da existência imortal do Espírito.
Todo dia nos apresenta diversas oportunidades de servir. Que possamos estar
 atentos a elas, e não desperdiçar nenhuma chance, nenhuma dessas experiências
enriquecedoras.
Parafraseando a poetisa, perguntamos: Você já serviu hoje?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Doença da Alma

Código Internacional de Doenças (OMS) inclui influência dos Espíritos
 - Medicina reconhece obsessão espiritual
 Por Dr. Sérgio Felipe de Oliveira*
 
A obsessão espiritual como doença_da_alma, já é reconhecida pela Medicina.
Em artigos anteriores, escrevi que a obsessão espiritual, na qualidade de
doença da alma, ainda não era catalogada nos compêndios da Medicina,
por esta se estruturar numa visão cartesiana, puramente organicista do
Ser e, com isso, não levava em consideração a existência da alma, do
espírito. 
 
No entanto, quero retificar, atualizar os leitores de meus artigos com essa
 informação, pois desde 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu
o bem-estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado do
aspecto físico, mental e social. Antes, a OMS definia saúde como o estado
de completo bem-estar biológico, psicológico e social do indivíduo e
desconsiderava o bem estar espiritual, isto é, o sofrimento da alma; tinha,
portanto, uma visão reducionista, organicista da natureza humana, não
a vendo em sua totalidade: mente, corpo e espírito.
 
Mas, após a data mencionada acima, ela passou a definir saúde como
o estado de completo bem-estar do ser humano integral: iológico, psicológico
e espiritual.
 
Desta forma, a obsessão espiritual oficialmente passou a ser conhecida na
Medicina como possessão e estado_de_transe, que é um item do
CID - Código Internacional de Doenças - que permite o diagnóstico da
interferência espiritual Obsessora.
 
O CID 10, item F.44.3 - define estado de transe e possessão como a perda
transitória da identidade com manutenção de consciência do meio-ambiente,
fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por
incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados
por doença.
 
Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos
religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença.
 
Neste aspecto, a alucinação é um sintoma que pode surgir tanto nos
transtornos mentais psiquiátricos - nesse caso, seria uma doença,
 um transtorno dissociativo psicótico ou o que popularmente se chama
de loucura bem como na interferência de um ser desencarnado, a Obsessão
 espiritual.
 
Portanto, a Psiquiatria já faz a distinção entre o estado de transe
normal e o dos psicóticos que seriam anormais ou doentios.

de Psiquiatria - DSM IV - alerta que o médico deve tomar cuidado para
não diagnosticar de forma equivocada como alucinação ou psicose, casos
 de pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou
ouvir espíritos de pessoas mortas, porque isso pode não significar uma
 alucinação ou loucura.

 que coordena a cadeira (HOJE OBRIGATÓRIA) de Medicina e Espiritualidade.
 
Na Psicologia, Carl Gustav Jung, discípulo de Freud, estudou o caso de
uma médium que recebia espíritos por incorporação nas sessões espíritas.
 
Na prática, embora o Código Internacional de Doenças (CID) seja conhecido
 no mundo todo, lamentavelmente o que se percebe ainda é muitos médicos
rotularem todas as pessoas que dizem ouvir vozes ou ver espíritos como
 psicóticas e tratam-nas com medicamentos pesados pelo resto de suas vidas.
 
Em minha prática clínica (também praticada por Ian Stevenson), a grande
maioria dos pacientes, rotulados pelos psiquiatras de "psicóticos" por
ouvirem vozes (clariaudiência) ou verem espíritos (clarividência), na verdade,
 são médiuns com desequilíbrio mediúnico e não com um desequilíbrio mental,
psiquiátrico. (Muitos desses pacientes poderiam se curar a partir do
momento que tivermos uma Medicina que leva em consideração o Ser Integral).
 
Portanto, a obsessão espiritual como uma enfermidade da alma, merece ser
 estudada de forma séria e aprofundada para que possamos melhorar a qualidade
de vida do enfermo.
*Dr. Sérgio Felipe é médico psiquiatra que coordena a cadeira de
Medicina e Espiritualidade na USP.
Na Faculdade de Medicina DA USP, o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico,
O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana

quarta-feira, 1 de junho de 2011

OPLOLOGIA

Numa roda de amigos num quente final de tarde, no chamado “happy hour” regado a cerveja, é mais do que comum as conversas girarem sobre as atividades do dia, o trabalho, o jogo de futebol, a política, as notícias sobre a situação do país e do mundo. E no meio a tudo isso, sempre se encontra um tempo para as paixões em comum, a maioria das pessoas encontra no esporte a sua válvula de escape das tensões diárias, mas um pequeno grupo tem lá as suas paixões mais específicas. O homem tem certamente um “instinto acumulador”, as pessoas guardam de tudo, de tesouros a velharias e inutilidades, e em certos casos patológicos até... Lixo. Nesta mesma roda de amigos, poderemos encontrar talvez um colecionador de carros, um filatelista (colecionador de selos) um numismático (colecionador de moedas) e quem sabe até um oplólogo... Oplólogo? Que raios vem a ser isso?
Oplologia é um neologismo de origem inglesa e italiana, foi cunhado na Inglaterra no século XIX por Sir Richard Burton e deriva dos vocábulos gregos Hoplon - οπλον, e λογοσ – o logos, como conhecimento, ciência. “Hoplon” era o grande escudo levado pelos Hoplitas (ὁπλίτης), o soldado grego de infantaria pesadamente armado, servindo a mesma raiz para designar o conjunto completo das armas dos gregos (além da armadura, grevas, escudo e elmo, usavam a espada de fio duplo, e lança pesada). Ainda relacionado há o termo grego Hoplos, que designa um ser mítico que era couraçado.
A Oplologia no início foi relacionada com a arte e técnica marcial, ao uso das armas, e depois de 1960 com Donald Frederick Draeger, passa a ser a relacionada como campo acadêmico de maior abrangência social, podendo se definir como a ciência que estuda a arte do combate e da guerra, da Filosofia e do logos do guerreiro, da história e estratégia militar, incluindo-se aí certamente o estudo da artilharia, das armas de fogo, das armas brancas, da munição, das fortificações, e também servindo de auxílio para outras ciências sociais. Na Itália, a palavra oplologia foi usada também a partir do século XX para descrever o estudo das armas e armaduras, e não propriamente só da parte prática, a das técnicas de uso.
Oplólogo então é o pesquisador ou estudioso do tema, que deve ter o necessário rigor científico, com pesquisa e literatura, mas sem esquecer a paixão (oplofilia) que estes artefatos sempre provocaram nos seres humanos (ou ainda no outro extremo ódio e medo, tão atuais e debatidos – a oplofobia,).
O estudo, conservação e colecionismo das armas de fogo, muito nos revelam sobre a cultura e a tecnologia da época em que elas foram feitas. As análises profundas das características técnicas e sociais nos fazem vislumbrá-las além de simples instrumentos mecânicos, pois foram parte da sociedade, as mantenedoras de poder e status social de seus proprietários. Pode-se inclusive se dizer que a função social das armas era ser representante visual da opulência ou penúria de seus possuidores, assim, por exemplo, frente a uma pistola com fecho de roda ricamente decorada do séc. XVI saberemos logo que pertencia a um nobre alemão, pelo alto valor econômico e artístico ali empregado, ao passo que frente a um mosquete de mecha rústico e simples do mesmo período e região, saberemos logo que era pertencente a um lasquenete (mercenário) ou soldado regular, pela modesta e prática construção.
As armas de fogo e canhões representam mais de 700 anos da inventividade e engenhosidade humana. Em cada arma como já disse, estão inseridos dados da sua época histórica, da cultura do povo que a construiu, cinzelados e burilados em metal bruto, ouro e prata, estão entranhados a sensibilidade e a habilidade particular de cada artesão, o que em certos casos pode transformar cada peça em uma peça única e de valor inestimável. Não se podem dissociar as armas da história, dos personagens das grandes tragédias, dos dramas humanos e dos importantes fatos mundiais. As armas fizeram sua aparição na sombria idade média como criaturas mitológicas, verdadeiros dragões que vomitavam fogo e metal, surgidas nos caldeirões dos alquimistas, e paridas pela mistura malcheirosa da primeira pólvora se esgueiraram para o campo de batalha medieval, através dos primitivos canhões de mão que evoluíram acompanhando a marcha constante do progresso humano, e se infiltraram no inconsciente coletivo com a mesma força de seus projéteis, que silvando perfuravam armaduras e destronavam reis.
Assim se consolida a oplologia como ciência social para somar a outras já existentes, conjugada com a balística em suas diversas vertentes (balística interior, exterior, de efeitos e forense), que cuida do estudo dos projéteis, tendo esta nascido junto com as antigas balistas e catapultas da idade antiga, antes mesmo das armas de fogo.
O colecionismo de armas tem por objetivo a perpetuação da memória e da história do homem, vem somar possibilidades a criação de um mosaico completo das diversas facetas técnicas e sociais de um período, possibilitadas pela metalurgia, artes, ourivesaria, engenharia, marcenaria, marchetaria, arqueologia, sociologia, literatura e demais ciências e técnicas.
Colecionar armas é sinônimo de cultura, conservação do patrimônio, e responsabilidade, bem ao contrário do que hoje se prega no Brasil, que seria sinônimo de ignorância e violência. O colecionador antes de tudo é um técnico, um estudioso, um literato apaixonado pelo que faz, e não raras vezes, um lutador solitário que se impôs a responsabilidade de preservar a memória militar e social de seu país, mesmo na contramão de seu povo ou momento político, que apenas anseiam pelo esquecimento ou pela ignorância plena.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Salário

Em certa passagem do Evangelho, narra-se uma pregação de João Batista.
A multidão interage com o profeta e lhe pede orientações.
Em dado momento, alguns soldados perguntam o que devem fazer.
João lhes responde que devem contentar-se com o seu soldo e não tratar mal ou defraudar a ninguém.
Essa frase tão concisa mostra grande sabedoria.
Muita gente se perde em tortuosos labirintos por não entender os problemas da remuneração na vida comum.
A busca de ganhos cada vez maiores pode fazer com que a pessoa esqueça os deveres que justificam seu salário atual.
Por se sentir injustiçada, arde em inveja de quem ganha mais.
Há operários que reclamam a remuneração devida a altos executivos.
A ganância costuma lançar um véu sobre a realidade e o ganancioso tudo vê sob uma ótica particular.
Ele sempre encontra uma forma de comparar sua situação com a dos outros, em seu favor.
Entretanto, não examina seriamente as graves responsabilidades que repousam sobre os ombros dos homens altamente colocados.
Muitas vezes, estes se convertem em vítimas da inquietação e da insônia.
Suas decisões e ações afetam a vida de incontáveis seres humanos e eles sentem o peso que isso representa.
Frequentemente, têm de gastar as horas destinadas ao descanso e à vida familiar em representações sociais.
De outro lado, há homens que vendem a paz do lar em troca de maiores ganhos.
Abdicam da convivência com os filhos enquanto se entregam a atividades desnecessárias.
Muitas vezes, justificam seu proceder com o propósito de dar conforto à família.
Contudo, olvidam que o afeto e a educação são os tesouros mais preciosos que podem proporcionar aos seus rebentos.
Ao eleger os bens materiais como o objetivo superior da existência, dão exemplos perniciosos.
Inúmeras pessoas seguem, da mocidade à velhice, descontentes com seus salários.
Apresentam-se ansiosas e descrentes, enfermas e aflitas, por não entenderem as circunstâncias do caminho humano, no que tange ao dinheiro.
Não é por demasia de remuneração que a criatura se integrará nos quadros Divinos.
Segundo a sabedoria popular, para a grande nau surgirá a grande tormenta.
Valorizar cada servidor o seu próprio salário é prova de elevada compreensão, ante a justiça do Todo Poderoso.
Para alcançar a paz, o relevante é estar muito atento aos próprios deveres.
Trabalhar com honestidade e desenvolver o próprio potencial.
Buscar melhoria, progresso e bem-estar, mas sem a angústia da ganância material e sem cobiçar o que é do próximo.
Antes de analisar o pagamento da Terra, é preciso se habituar a valorizar as concessões do Céu.
Pensemos nisso.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Exame de Aikido para 1º Kyu - Faixa Marrom - 1º/05/2011 - FEPAI - SP

APREENSÃO TOTAL...

ONEGAI SHIMASU

SUWARI WAZA

SHOMEN UTI DAI ITIKIO URÁ

YOKOMEN UTI KIRIKAESHI IRIMI NAGUE OMOTE


AGUARDANDO A NOTA...

RECEBENDO O DIPLOMA DO SHIHAN NISHIDA


RODRIGO, ANDERSON (UKE DO MEU EXAME), SENSEI MARCIO, EU E O RENATO